Para entender a crise: um vocabulário do clima

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  • EFEITO ESTUFA

    A Terra tem, naturalmente, uma camada de gases em sua atmosfera que segura o calor. É como um cobertor, que evita que o planeta se torne uma bola de gelo. Contudo, nos últimos séculos, a humanidade engrossou esse cobertor com mais gases de efeito estufa (queimando combustíveis, derrubando florestas), fazendo o calor aumentar cada vez mais. 

  • GASES DE EFEITO ESTUFA

    São moléculas presentes no ar que bloqueiam a radiação infravermelha (calor). Por causa desses gases, o calor que o planeta irradia após receber os raios solares não volta para o espaço.

  • MUDANÇA CLIMÁTICA

    Em excesso, os gases de efeito estufa alteram o clima da Terra: as temperaturas sobem, a evaporação aumenta. As tempestades ficam mais fortes e as secas mais longas; há queimadas e inundações.
    Muita gente prefere usar a expressão “mudança climática” em vez de “aquecimento global”, uma vez que nem todos os eventos extremos são de calor: as nevascas também ficam mais fortes num mundo aquecido.

  • CO2

    O gás carbônico é o principal gás de efeito estufa de origem humana, produzido principalmente pela queima de combustíveis fósseis, que já foram matéria orgânica há milhões de anos. O CO2 é extremamente durável: tem um tempo de permanência na atmosfera de em média 150 anos. Só uma pequena parte do gás carbônico que emitimos hoje ainda estará esquentando o planeta daqui a 10 mil anos.

  • METANO

    É produzido por microrganismos no solo, no estômago de animais ruminantes e pela decomposição de matéria orgânica. Também é o principal componente do gás fóssil, que usamos na cozinha, no transporte e para aquecer nossos chuveiros. Mesmo que emitido em pequenas quantidades, o metano tem potencial para esquentar o planeta 28 vezes mais que o do gás carbônico em cem anos.

  • MITIGAÇÃO

    São as ações que freiam as emissões de gases de efeito estufa – seja cortando as emissões (o uso de energias limpas, como a troca de um carro a gasolina por um elétrico), seja capturando CO2 da atmosfera (quando se planta uma árvore, por exemplo).


  • ​​ADAPTAÇÃO

    Quando a prevenção falha, vem a adaptação: se não conseguimos reduzir as emissões, precisamos mudar nossos modos de vida. Ações de adaptação vão desde grandes obras de engenharia, como a construção de piscinões para prevenir enchentes, até atitudes simples, como a instalação de ar-condicionado numa escola.

  • COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

    Os combustíveis fósseis são três: carvão mineral, petróleo e gás fóssil. Eles são formados a partir da decomposição de restos de microrganismos e plantas mortos num passado remoto, que ficaram milhões de anos “cozinhando” lentamente nas profundezas da Terra, até que restassem apenas longas cadeias de carbono e hidrogênio, os hidrocarbonetos.

  • PEGADA DE CARBONO

    A "marca" que cada agente deixa no planeta – seja pessoa, família ou empresa – medida pelo que se gasta de energia e pelo que se consome. Quanto mais rico o estilo de vida, maior sua pegada: os 10% mais ricos são responsáveis por 2/3 das emissões que aquecem o planeta.

  • ACORDO DE PARIS

    O primeiro acordo universal contra a crise climática – firmado em 2015. Seus objetivos: frear o aquecimento abaixo de 2oC (de preferência a 1,5oC), adaptar a sociedade às mudanças do clima e alinhar a economia mundial à descarbonização. Para isso, todos os países têm de apresentar metas de redução das emissões. A cada cinco anos são fixadas novas metas, mais ambiciosas.

  • IPCC

    Sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima. É uma equipe de centenas de cientistas que analisa as pesquisas sobre mudanças climáticas, criada pela ONU em 1988. Desde 1990 o IPCC já produziu seis relatórios, os quais provaram – para além de qualquer dúvida – que o clima está mais quente, que a culpa é nossa e que vai piorar.

  • MUDANÇA DE USO DA TERRA

    Alteração pela qual transformamos paisagens naturais em áreas para agropecuária, mineração ou urbanização. Por exemplo, quando uma floresta é derrubada para criar pasto: da conservação ambiental à pecuária.

  • PPM/PPB

    A "régua" para medir a concentração de gases de efeito estufa: partes por milhão (ppm) e partes por bilhão (ppb). Hoje, temos cerca de 420 ppm de CO2 no ar – ou seja, em cada milhão de moléculas há 420 de CO2. Parece pouco, mas é muito acima do nível natural dos últimos 800 mil anos, que nunca ultrapassou 300 ppm.