Da crise à ação
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O que fazer?
O cientista estadunidense John Holdren diz que há três coisas a fazer ante a crise do clima: mitigar, adaptar e sofrer. Duas delas estão sob nosso controle. Mitigar significa cortar emissões de gases de efeito estufa. É o que o mundo tenta fazer com o Acordo de Paris, o tratado internacional que define as regras para a transição econômica de um mundo movido a combustíveis fósseis e desmatamento para um mundo descarbonizado. Adaptar significa agir no nível local, regional ou nacional para proteger pessoas e ecossistemas dos impactos de um clima que já se alterou. Quando o governo brasileiro adota políticas contra o desmatamento, está reduzindo emissões, ou mitigando. Quando uma prefeitura planta árvores em torno de uma represa, procurando amenizar o efeito da seca sobre o abastecimento de água, ou quando a Embrapa desenvolve uma semente de feijão resistente a estiagem, estão adaptando.
O IPCC: A ciência contra-ataca
Em 1988, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) criaram o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O órgão teria a missão de preparar um panorama sobre o estado da arte do conhecimento científico sobre as mudanças climáticas.
O IPCC reúne centenas de cientistas do mundo todo, divididos em três grupos de trabalho: o primeiro avalia a base física da mudança do clima; o segundo, os impactos e as vulnerabilidades de sociedades e ecossistemas; o terceiro trata da chamada mitigação, ou como reduzir as emissões de gases que causam as alterações climáticas. Esses grupos se dedicam a compilar, a cada cinco ou seis anos, todo o conjunto de evidências disponíveis na literatura e a produzir grandes relatórios de avaliação.
Ao todo, o IPCC já publicou seis relatórios. O primeiro (chamado FAR), em 1990, forneceu a base científica para o estabelecimento da Convenção do Clima das Nações Unidas, em 1992. O segundo (SAR), em 1995, abalou o mundo ao detectar pela primeira vez “evidência discernível” do impacto humano no clima — levando à aceleração de campanhas desinformativas pela indústria fóssil. O quarto (AR4) declarou que o aquecimento do sistema climático é “inequívoco” e rendeu ao IPCC o Prêmio Nobel da Paz de 2007.